Círculo de Fogo – para os íntimos; Pacific Rim

Pacific-Rim-Movie-Poster-Gipsy-Danger1Círculo de Fogo trouxe a mim uma sensação gostosa de nostalgia. Lembro de ficar grudado na programação do SBT e da Globo esperando o que ia passar na Sessão da Tarde ou no Cinema em Casa. Assistia todos os tipos de filmes que passavam, mas havia um gênero que eu não perdia nem que estivesse doente: os filmes de monstros gigantes. Ficava ansioso pela aparição do primeiro monstro na tela, e logo após o término do filme, recriava as aventuras na minha mesa, com caixas de sapato servindo como prédios, e toalhas eram as montanhas onde meus super heróis de plástico lutavam contra os mais variados monstros (até já coloquei meus bonequinhos dos Vingadores pra lutar contra um Coringa gigante xP).

Dito isso, não consigo deixar de imaginar que o cineasta Guillermo Del Toro fazia o mesmo quando tinha a minha idade naquela época. O amor do diretor pelos filmes de monstros se deixa transparecer em cada frame de Círculo de Fogo. Aliás, tudo no filme é um ode ao modo infantil de se ver filmes, onde tudo preenchia os nossos pequenos olhinhos, e ao mesmo tempo, nos dando personagens com quem podíamos nos identificar e torcer para seu sucesso.

Círculo de Fogo é a grande declaração de amor de Del Toro por filmes antigos de monstros japoneses, animes com a temática mecha, e o Cinema fantástico em geral.

O roteiro é simples: no futuro, monstros imensos conhecidos como Kaiju (monstro, em japonês) invadem a Terra através de uma fenda dimensional no fundo do Pacífico. Os humanos contra atacam criando os Jaegers (caçador, em alemão), robôs gigantes controlados mentalmente por duas pessoas ao mesmo tempo. A guerra parece pender para o lado humano, mas os Kaijus passam a vir em maior número e mais violentos, e o programa Jaeger, à beira do encerramento, deposita sua esperança em um time de pilotos que pode mudar o destino do nosso mundo.

Pacific-Rim-Kaiju-behind-the-scenes-1

Mergulhando o espectador no seu universo sem piedade logo no primeiro segundo de projeção, Círculo de Fogo consegue ser um dos filmes mais intensos e leves da temporada atual de blockbusters. O cineasta compreende que não há muito espaço para desenvolvimento de personagens na narrativa, mas contornou esse aparente problema usando a neuroconexão entre os dois pilotos de um Jaeger para cada um conhecer mais sobre o companheiro, e dando esse insight ao público também, fazendo que o espectador saiba a motivação de todas as figuras humanas na tela.

Charlie Hunnam e Rinko Kikuchi exibem boa química juntos e Idris Elba expressa sua autoridade e liderança sem apelar para exageros de interpretação. Charlie Day e Burn Gorman divertem como a dupla de cientistas que vivem brigando entre si – eles são o C3PO e o R2-D2 no universo de Círculo de Fogo) e a dinâmica pai e filho entre os atores Max Martini e Rob Kazinsky funciona bem na tela. Menos bem sucedido é Ron Perlman, que apesar de criar uma figura interessante e cheia de maneirismos, assume uma função relativamente descartável na trama geral. Os efeitos especiais são sensacionais e apesar do esforço de serem realistas o suficiente para uma telona, tudo parece irreal o bastante para dar ao público a sensação de que tudo que se vê na tela não passa de uma grande fantasia, o que pode atrapalhar o espectador mais exigente. Em termos de ‘realismo’, Círculo de Fogo foge da atual tendência de explicar demais tudo o que está acontecendo na trama e dá ao público o que ele veio ver: lutas épicas entre seres gigantes, e nisso o filme não decepciona. Após tirar um tempinho valioso de roteiro para explorar as relações e motivações dos humanos, o enredo parte para a ação grandiosa sem rodeios. E lhes garanto que a ação é magnífica! Personagens bem desenhados e cenas de ação bem elaboradas e grandiosas fazem de Círculo de Fogo um belo blockbuster.

E que venha o Godzilla!

(reprodução do texto de minha autoria no Caravela Virtual)

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Pac Rim em casa ❤

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5 respostas em “Círculo de Fogo – para os íntimos; Pacific Rim

  1. Republicou isso em World Fabi Bookse comentado:
    E o nosso colaborador Gustavo Valente está de blog novo!!

    Nós, do World Fabi Books já lemos o post de estréia e temos dizer que, mais uma vez, o Gu Valente se superou em qualidade! Altamente recomendamos a leitura de: “Círculo de Fogo – para os íntimos: Pacific Rim”, no Blog do Valente!!

    Não deixem de ler: http://wp.me/p4tmRM-l

  2. Bom, belo texto.
    Cara, gostei do filme. Vi alguns erros , que não gostei tanto. Mas num geral, o filme é bem legal. E mostra a que veio. ENquanto a Godzilla, acho que será demais . To com hype até a cabeça hahaha. Abraço e continue escrevendo boas críticas como essa.

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